O que os cristãos nos fizeram (1)
A perseguição aos judeus pelos cristãos, particularmente no contexto da Inquisição na Península Ibérica (Portugal e Espanha), foi um processo longo e violento, caracterizado por conversões forçadas, perseguição dos chamados "cristãos-novos" e confisco de bens.
Embora a Inquisição tecnicamente visasse heréticos batizados (e não judeus praticantes, que estavam fora da sua jurisdição direta), ela perseguiu massivamente os judeus convertidos ao catolicismo, acusando-os de "criptojudaísmo" ou seja, de praticar o judaísmo em segredo (marranos).
Aqui estão as principais ações realizadas:
- Conversões Forçadas e Expulsão: No final do século XV, Espanha (1492) e Portugal (1497) decretaram a expulsão dos judeus que não se convertessem ao catolicismo. Muitos foram forçados a batizar-se.
- Perseguição aos Cristãos-Novos: A Inquisição (instituída em Portugal em 1536) focou-se em vigiar estes recém-convertidos. Denúncias anônimas, tortura e julgamentos no auto-de-fé eram comuns para obter confissões de que praticavam rituais judaicos (como o Shabat ou jejuns).
- Confisco de Bens: A Inquisição frequentemente confiscava os bens dos acusados, o que gerava um grande interesse financeiro para a Coroa e a Igreja, enriquecendo os cofres reais e religiosos.
- Tortura e Execução: Métodos de tortura cruéis eram utilizados para obter confissões. Os "judaizantes" (acusados de judaizar) que não se arrependessem ou que recaíssem no erro eram condenados à morte, geralmente queimados na fogueira em autos-de-fé.
- Segregação: Em alguns locais, como no Estado Papal, a Igreja forçou os judeus a viverem em guetos, limitando as suas profissões e obrigando-os a usar marcas distintivas na roupa.
Impacto na Península Ibérica:
- Portugal: Entre 1543 e 1684, a Inquisição portuguesa condenou cerca de 19.246 pessoas, com mais de 1.300 queimados na fogueira.
- A "Pureza de Sangue": Criou-se uma cultura de perseguição baseada na ascendência, onde ter sangue judeu era considerado uma mancha, impedindo a ascensão social e gerando terror constante.
A perseguição só começou a abrandar com o Marquês de Pombal, que no século XVIII aboliu a distinção entre cristãos-velhos e cristãos-novos e limitou o poder da Inquisição.
Comentários
Postar um comentário